sábado, 19 de setembro de 2009

Sete Pecados Mortais No Tibete




Com a Segunda Guerra Mundial praticamente a anunciar-se, num mosteiro tibetano, um assassino anda à solta. Ao que parece, alguém anda a assassinar monges, utilizando os sete pecados mortais como justificação, e tendo como modus operandi (aí está, a minha primeira incursão no latim) a elaboração de complexos cenários em que as vítimas são mortas de maneiras diferentes consoante o pecado que tenham eventualmente cometido. Penso que esta é a altura apropriada para fazer um aparte dizendo: Dan Brown, toma lá que é para aprenderes! Para tentar resolver estes crimes, é destacado um detective austríaco que curiosamente também é alpinista e se encontra por perto, pois acaba de abandonar a esposa grávida para ir escalar um dos picos mais complicados do mundo. Assim que chega ao Tibete, começa a visitar as diversas cenas dos crimes, sendo que a primeira delas é chocante, uma vez que obrigaram um monge a comer amendoins até morrer empanturrado… comeu três, portanto! Logo de seguida testemunha com horror um cenário em que outro monge foi supostamente assassinado por ter ido ao barbeiro, e ter pedido para lhe apararem as pontas do cabelo pois estavam a ficar espigadas… o barbeiro fez o que ele pediu e aplicou-lhe uma gillette na cabeça. O que a vaidade obriga as pessoas a fazer. O próximo monge a pisar o risco, foi um tipo que ao que parece terá pedido ao cozinheiro da cantina uma posta à mirandesa, uma vez que só gostava de comer carne. Ora, toda a gente sabe que se deve renunciar os prazeres carnais, sob o risco de se ser acusado de cometer luxúria… comesse antes uma posta de pescada cozida. Avareza, cometeu o gajo que ao ver um amigo necessitado de um transplante de coração, e tendo ele ao que parece um suficientemente grande, não se ofereceu para lhe ceder parte e salvar-lhe a vida, e por isso ficou sem ele na totalidade. Quem não escapou também e levou por tabela, foi o outro gajo, porque convenhamos, ter só meio coração a funcionar correctamente, é claramente um indício de que a preguiça se começa a apoderar do indivíduo. Quanto aos últimos dois pecados, o assassino guardou-os para ele próprio e para o detective. Para ele deixou a inveja, uma vez que sempre desejou ser alpinista, e começou aos poucos a cobiçar a vida do nosso herói. Para o detective deixou a ira, pois assim que lhe rouba o material de escalada, é-lhe permitido experienciar, a sensação de corrente de ar que um tiro na cabeça consegue provocar. No final, e quando ele pensava que seria elevado a herói nacional, rebenta a guerra, e como ele se encontrava em território inglês, é considerado inimigo e é feito prisioneiro de guerra, o que o leva a realizar o eufórico comentário “Caraças, que já me lixei!”. No entanto, nem tudo é mau nesta situação, e o facto de ter bastante tempo disponível, e de ser nesse momento o único estrangeiro no Tibete, faz com que venha a ter o privilégio de poder brincar aos índios e aos cowboys com um jovem Dalai Lama a sair da casca.

sábado, 12 de setembro de 2009

Sozinho Em Cas...Per




Para aqueles que nunca terão visto o filme “Sozinho em Casa” a minha pergunta é “Por onde andaram nos últimos quase vinte anos?”. Eu próprio devo-o ter visto de livre e espontânea vontade pelo menos duas vezes, sendo que só não o vi mais vezes nos últimos dezoito anos, graças a uns reflexos dignos de um lémure consumidor de ecstasy, os quais apliquei sempre que praticava o zapping no meu televisor, mais ou menos por altura das comemorações natalícias. Cada vez que nos aproximamos do Natal, há duas coisas que podemos tomar como certas, mais um novo ano que se aproxima, e que alguém vai levar com o puto ranhoso que insiste em ser abandonado pelos pais. Se fizermos um esforço, poderemos ver ainda que Macaulay Culkin se aparenta bastante com o protagonista do segundo filme, senão reparem no tom de pele cor de cal e na categoria com que conseguiu desaparecer do cinema num ápice. Em relação ao segundo filme, devo começar por salientar que estou a usar o título em inglês, não por dar mais jeito para fazer o trocadilho, mas acima de tudo porque fantasma que é fantasma não pode correr o risco de dizer “Olá, eu sou o Gasparzinho, e estou aqui para vos assombrar… buuhh!” Meu Deus… que medo… acho que me saiu uma gotinha. Juntar os dois filmes, é uma parvoíce tal, só equiparada pela ideia de terem feito um “Sozinho em Casa 3”, em que foram obrigados a mudar de actor principal, ou correríamos o risco de ainda hoje termos que levar com o gajo já perto dos trinta anos, em qualquer coisa tipo “Sozinho em Casa de Alterne”. Este novo filme foca um tema para o qual devemos todos ser alertados… os casais que nunca ouviram falar em contracepção e que no entanto gostam de lhe dar como se fossem coelhos! O problema é que são tantos os filhos, que quando querem ir de férias, fica sempre um esquecido. Casper é um fantasminha vítima disso mesmo, de repente vê-se sozinho e abandonado em casa, a qual ele pretende assombrar de uma maneira que venha a orgulhar os seus pais. O problema é uma dupla de bandidos que vê no facto de a casa estar vazia, uma oportunidade para a assaltar. Casper vai ter que fazer de tudo para evitar que isso aconteça, e começa a espalhar armadilhas por toda a casa, e principalmente nos possíveis pontos de entrada para os larápios. Impressionante é a capacidade dos bandidos caírem em todas as armadilhas, e de o fazerem alternadamente, possibilitando que possamos visionar tranquilamente a estupidez de ambos. Espaço ainda pelo meio para as habituais traquinices em casa, como por exemplo comer doces sem os pais saberem, descer escadas de trenó, e inclusive a cena em que Casper experimenta fazer a barba e aplicar after-shave. Macacadas hilariantes a não perder, principalmente se tiver menos de cinco anos ou um severo atraso mental.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sei O Que Fizeste O Biberão Passado


                                               HORINHA DA MAMA PEQUERRUCHO!

Faz hoje uma semana que passaram sete dias em que me deu na bolha misturar “Olha Quem Fala” com “Sei o Que Fizeste o Verão Passado”. No primeiro filme temos um recém-nascido que tem como dom principal, a característica única dos seus pensamentos fluírem em forma de voz do Bruce Willis; será que nunca ninguém terá desconfiado e pensado que se calhar o pirralho era filho dele? … Até no penteado são iguais. No segundo filme temos uma série de adolescentes inconscientes, que por acidente atropelam mortalmente um homem misterioso, que volta a aparecer no ano seguinte, com o intuito de os assassinar de variadas maneiras, algumas das quais eu cheguei a equacionar aplicar ao John Travolta quando assisti ao primeiro dos filmes em questão. O novo filme retrata a história de um recém-nascido, que depois de ter feito menos cocó e chichi na fralda do que o costume, decide ir até à praia com os amigos comemorar o acontecimento, mas levando no entanto, uma embalagem de descartáveis à cautela. E pronto, um gajo já sabe como é que é, quando se vai a uma festa na praia, principalmente de fralda, temos tudo para ser o centro das atenções. Com tudo o que era gaja a fazer-lhe olhinhos, ele faz o que qualquer homem faria… mete-se nos copos para ganhar coragem. Depois de grande festarola, de ter ingerido pelo menos uma grade de biberões de leite morninho, e de já quase não se aguentar em pé de tanto soninho, decide voltar para casa com os colegas, conduzindo o seu carrinho de bebé, com uma taxa de calciolémia muito superior à permitida por lei. Durante a viagem, e quando vinha a conduzir ao mesmo tempo que bebia mais um biberão, lia um livro de prevenção rodoviária, e tocava a musica do Noddy em castanholas, atropela acidentalmente um homem vestido de pescador que se atravessa à frente da sua viatura não motorizada. Assim que se apercebe do que aconteceu, decide imediatamente fazer aquilo que qualquer pessoa responsável faz numa situação deste tipo… não, não é fugir meus bandidos, é certificar-se que o tipo está morto, e com a ajuda dos amigos, livrar-se do corpo atirando-o de uma falésia, uma vez que se chamasse a polícia, poderia ir preso por conduzir sobre o efeito de cálcio. Assim que chega a casa, e para esquecer o que aconteceu, prepara-se para mamar mais um biberão de leite morno, quando recebe uma mensagem por pombo-correio, que diz o seguinte: “Sei o que fizeste o biberão passado!”. Oh, meu Deus! Assustado, rapidamente pensa que poderá ter sido algum dos seus amigos na brincadeira, mas assim que eles começam a cair como tordos em época de caça, apercebe-se que o assunto é mais sério do imaginava e que tem de lutar pela sua sobrevivência, ou no mínimo, lutar para não levar um grande tautau… o maroto!

sábado, 29 de agosto de 2009

Realizadores Vs. Taco De Basebol Nas Trombas




De há uns anos para cá, o que parece estar na moda, talvez por falta de ideias originais, é tentar juntar duas personagens cinematográficas que tenham obtido determinado sucesso, e tentar criar uma porcaria qualquer que posteriormente tentam apelidar de filme. De certo modo, fazem com as personagens, um pouco o que eu tento fazer com alguns filmes, sendo que a principal diferença, é que eu tenho consciência que o resultado final vai ser uma boa merda, ao passo que outros tentam ganhar a vida a fazer isso. Um bom exemplo intitula-se “Alien Vs. Predator”; dois bicharocos que na minha opinião, em separado fizerem um óptimo trabalho a aterrorizar a malta, e que graças à brilhante ideia de os juntar no mesmo filme, tiveram agora direito a estrear-se na área da comédia. Outro caso semelhante, é o de “Freddy Vs. Jason”; de certeza que toda a gente se lembra dos vários “Pesadelos em Elm Street” e do clássico “Sexta-Feira 13”… de juntar os dois protagonistas principais num só filme, e borrar a pintura, só se lembrou um gajo que ao que parece, dizem que é realizador de cinema! Se calhar já estava na altura de fazer outra palhaçada parecida, qualquer coisa estilo “Shrek Vs. Kung Fu Panda”, “Indiana Jones Vs. Jack Sparrow”, ou o tão aguardado e assustador “Chucky Vs. Marilyn Manson”, filme este que para dar mais pica, eu aconselho a ser visionado sozinho, numa noite de lua cheia e sentado em frente ao televisor apenas com um balde de pipocas, um pack de cerveja e uma muda de cuecas lavadas… não vá o diabo tecê-las! Outra situação que me tem irritado no cinema ultimamente, é a falta de qualidade dos remakes que têm sido feitos. Pude visionar há pouco tempo atrás o novo “Sexta-Feira 13”, e não pude deixar de reparar que o facto de o terror ter baixado drasticamente de qualidade, é nos dias de hoje compensado por uma ou duas teenagers boazonas que têm como problema principal, o facto de não conseguirem evitar andar constantemente com as mamas ao léu… problema delas obviamente, porque por mim tudo bem; o meu problema é que agora estou tão habituado a esse pormenor, que ver um filme de terror sem mamas, é para mim o equivalente a ouvir três músicas seguidas do Marante, sem ainda ter ingerido pelo menos quatro malgas de vinho tinto… simplesmente não consigo assimilar toda a genialidade envolvida no processo!
Comentário final para o mau da fita, cuja deficiência, ao que parece não está apenas na cara, mas também numa resistência sobre-humana a ferimentos, e à dor por eles infligida. O gajo resiste a facadas, a tiros, a rolos compressores, a enforcamentos, a fisgadas, e muito possivelmente até ao caso extremo de uma unha encravada, o que me leva a pensar que devíamos aproveitar todo esse potencial e aplica-lo num filme ao melhor estilo hollywoodesco que se poderia talvez intitular “Jason Vs. Al Qaeda”… era limpinho, não?

sábado, 22 de agosto de 2009

Prego A Fundo




Depois de uma semana, em que todos nós seguimos com entusiasmante expectativa, a estreia de dois dos blockbusters porno deste verão… com certeza já se aperceberam que me estou a referir a “Idade do Grelo 3”, e ao previsível êxito de bilheteiras “O Fabuloso Pepino de Amélie Poulain”… é somente natural que escreva agora uma crónica que tenha tudo a ver com o tema. Vou portanto falar de desportos motorizados. E para isso, nada melhor do que escolher um dos êxitos da carreira de Tom Cruise, intitulado “Dias de Tempestade” e transformá-lo na versão portuguesa “Dias de Trovoada com Possibilidade de Chuviscos Durante a Tarde”. A história gira em torno de um piloto amador de automóveis, cujo único sonho é conseguir correr na principal competição motorizada do país… a Nascarjacking … uma espécie de Nascar, mas onde o objectivo principal é interceptar e surripiar o maior número de viaturas concorrentes. As coisas começam a correr de feição, quando consegue angariar um patrocínio que lhe permite ingressar numa equipa profissional e na competição tão desejada, mas cedo se apercebe que as dificuldades irão ser muitas, uma vez que enfrenta concorrentes bastante experientes na arte do gamanço. Ao fim de algumas provas, vê-se envolvido num aparatoso acidente com o seu principal rival, e é transportado para o hospital, onde é assistido por uma médica boazona, pela qual ele se apaixona de imediato, e a qual ele convida nesse preciso momento para ir beber um saco de soro fresquinho e comer um pires de tremoços. Ao mesmo tempo, o rival descobre que tem um problema de visão, que em linguagem clínica é habitualmente conhecido pelo nome de “não ver a ponta de um corno”, e que se está a agravar, o que futuramente o vai impedir de competir. Outrora rivais, tornam-se então grandes amigos, e o nosso protagonista, ainda chocado por ver como é frágil a carreira de qualquer piloto, vai fazer de tudo para ganhar a competição e dedicá-la ao seu mais recente amigo. Temos ainda que suportar aquele pingue-pongue lamechas entre uma namorada constantemente preocupada e amuada pelo risco que o seu amado corre, sempre que faz uma corrida, e o namorado que se está profundamente a cagar para isso, pois não imagina passar um dia sem ter sido premiado pelo menos com uma overdose de adrenalina e uma conta de bate-chapas de bradar aos céus. Tempo ainda pelo meio para a típica relação pupilo/professor, entre o nosso piloto e o velhote que é o chefe da equipa para a qual ele corre, em que para variar um bocadinho, inicialmente o piloto não faz o que o velho diz, e embora todo o potencial esteja claramente presente no indivíduo, as coisas começam a correr mal… é só uma questão de esperar pelo final do filme, que é quando geralmente os artistas se apercebem que está escrito no guião que em última instância têm que vencer.

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